Fabio Bertini Godoy
Henrique Frasson de Souza Mário
Davide Franco
1.
Introdução
Florianópolis, a capital do Estado de Santa Catarina, está
situada em sua maior parte na Ilha de Santa Catarina. Suas quarenta e duas
praias e vegetação exuberante, típica de mata atlântica e de restinga, lhe
conferem um cenário de grande beleza natural associado a um clima de verões
quentes. Estas qualidades que despertam anualmente o interesse de milhares de turistas
brasileiros e estrangeiros também atraem ameaças ao equilíbrio e à conservação
do estado saudável do ambiente.
A Lagoa da Conceição é uma laguna ligada ao mar pelo Canal
da Barra da Lagoa, forma um sistema estuarino caracterizado por ecossistemas localizados
na interface oceano/terra/atmosfera e, por isto, complexos e altamente
produtivos. Nos estuários ocorrem importantes processos de mistura da água
continental e oceânica. Como zonas de transição entre ambientes marinhos e
fluviais, terrestres e aquáticos estão sujeitos a transformações nas mais
diversas escalas de tempo e espaço. (KRUG; NOERNBERG, 2005)
A presente proposta visa analisar espacialmente aspectos
do meio físico da região da Lagoa da Conceição, para contribuir ao estudo do
ciclo hidrológico da bacia hidrográfica com a utilização de técnicas de
sensoriamento remoto e Sistema de Informações Geográficas (SIG), as quais
possibilitaram elaborar um documento síntese, didático e analítico.
Complementarmente ao trabalho de caracterização, foi realizada
uma comparação deste estudo com o previsto no Plano Diretor Urbano (PDU) de
Florianópolis através de um cruzamento de informações, por sobreposição de
mapas. Procurou-se, assim identificar as principais áreas de conflito de
ocupação da região com o previsto em lei municipal.
2. Área de Estudo
A Lagoa da Conceição situa-se porção leste da Ilha de
Santa Catarina, município de Florianópolis, estado de Santa Catarina – Brasil
entre os paralelos de 27°30’ e 27°37’ de Latitude Sul e entre os meridianos de
48°25’ e 48°29’ de Longitude a Oeste de Greenwich (figura 1).

FIGURA 1 - Localização da área de estudo
Fonte: Autor
A Lagoa da Conceição é ligada ao mar através de um canal
longo e estreito. de 2,8km que ligam o corpo lagunar ao oceano (PEREIRA, 2004).
O fluxo no canal foi garantido em 1982, com a retilinização, dragagem e com a
construção de molhes na sua desembocadura no mar. Antes destas retificações era
natural que a barra do canal fechasse por períodos indefinidos, (CECCA, 1997).
De acordo com os critérios do modelo de classificação de
Strahler, seu clima é do subtipo subtropical úmido. Está inserida na região de
clima temperado de categoria subquente, com temperatura média oscilando entre
18º e 15ºC no inverno e entre 26º 24ºC no verão. A temperatura média anual é de
20,4ºC (CECCA, 1997).
Aproximadamente 35 afluentes e dois canais de drenagem
desembocam no corpo lagunar (BARBOSA, 2003). O principal aporte de água doce é
o Rio João Gualberto Soares, que está inserido em uma microbacia com área de drenagem
de 4 km² no Distrito de São João do Rio Vermelho (DUTRA, 1991). Existem, na
borda Oeste, córregos que nascem no Embasamento Cristalino adjacente, como o
Rio Cachoeiras, porém estes com pequena vazão. Na parte Sul, segundo Odebrecht
e Caruso Gomes Jr. (1999), ocorre aporte de água doce através de infiltração
pelo subsolo. O aporte de água do mar se dá através do canal da Barra da Lagoa.
A maioria dos autores enquadra a vegetação da Ilha em duas
regiões botânicas: Vegetação Litorânea e Floresta Pluvial da Encosta Atlântica
(também chamada de Floresta Ombrófila Densa) (CECCA, 1997).
Estudos feitos por Caruso (1990) demonstram que 83,2% das
florestas, 6,7% dos mangues e 5,8% da vegetação de praia, duna e restinga, ou
seja, 69,5% da cobertura vegetal total haviam sido desmatados até 1938. Tendo
este número aumentado para 76,1% até o ano de 1978.
A bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição (na qual se
estabeleceu a freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa) apresenta
ocupação humana desde milênios atrás. Os primeiros povos a habitar a Ilha de
Santa Catarina foram os povos dos sambaquis há cerca de 5.000 anos. A freguesia
da Nossa Senhora da Conceição da Lagoa foi fundada para fixar parte das
famílias de imigrantes das ilhas de Açores e Madeira a partir de 1750. (CECCA,
1997). No século XIX a farinha de mandioca se tornou o principal produto de
exportação da Ilha de Santa Catarina e no século XX, a pesca passou a ser
produtora de renda (CECCA, 1997).
Atualmente a Bacia Hidrográfica da Lagoa da Conceição é
habitada tanto pela comunidade nativa como por grupos de diferentes regiões do
País e do exterior. Em 2000, o censo do IBGE apontava 23.929 habitantes (IBGE,
2000).
3. Materiais e Métodos
As informações foram processadas com a utilização de um
scanner A4, microcomputador com processador Atlhon XP 2000, placa mãe ASUS
A7N8X-X, HD 80Gb, 1 Gb Ram DDR 400, placa de vídeo G-Force MX 4000 64 Mb e
CD-ROM. Foram utilizadas fotografias aéreas referentes ao ano de 2004, em
escala original de 1:8000, imagens do satélite CBERS-2 (banda 2, 3 e 4) e a
base cartográfica digital, contendo as curvas de nível eqüidistantes em 20
metros, a hidrografia, os limites e o sistema viário
O desenvolvimento do trabalho iniciou-se com a criação de
um banco de dados geográficos (BDG) no SPRING As informações da base
cartográfica digital em
formato DXF - AutoCAD foram registradas no banco dados
geográficos criado no SPRING, utilizando-se a projeção UTM (Universal
Transversa de Mercator), que incorpora os dois sistemas de coordenadas geográfica
e plana. O datum utilizado foi o SAD 69 (South América Datum 1969). Neste
trabalho foi utilizada metodologia semelhante à de Mario (2003) para o
georeferenciamento das fotografias aéreas e classificação temática da área de
estudo.
A elaboração das cartas foi realidade com o uso do Scarta,
módulo do sistema SPRING para a criação de cartas, utilizando-se as informações
da base cartográfica e as informações geradas neste estudo.
A área de estudo foi delimitada pelo limite da bacia
hidrográfica da Lagoa da Conceição, traçado a partir das curvas de nível e
hidrografia pertencentes ao banco de dados. Neste traçado delimitou-se uma área
de captação de águas pluviais correspondente a 82,30 km2. Com o intuito de
estabelecer uma correspondência com os limites sugeridos por IPUF (2006); Hauff
(1996) e EPAGRI/CIRAM (2006) a área de estudo ficou delimitada em uma
superfície de 91,46 km2. Estes cálculos de área foram realizados por meio de
ferramenta de operações métricas incorporadas ao sistema SPRING.
As fotografias fornecidas pelo IPUF (2004) foram
digitalizadas através de scanner tamanho A4, com resolução de 300 dpi e salvas em formato TIFF. Estas
imagens foram reduzidas e sua escala alterada para 1:50.000. Em seguida, as
fotografias foram transformadas para o formato GRIB no Impima.
Foi realizado um mosaico com o auxílio do aplicativo
CorelDRAW, para isto foram inseridos seis pontos cujas coordenadas eram
conhecidas para o referenciamento da imagem. Este mosaico foi exportado em formato TIFF e salvo
no formato GRIB pelo módulo Impima. Esta imagem foi corrigida geometricamente e
georreferenciada no sistema SPRING. Na retificação da imagem foi empregado o
polinômio de 1a ordem para correção espacial da imagem. Esta correção
mostrou-se satisfatória e adequada ao número de pontos de controle. Terminado o
processo de retificação, obteve-se um erro médio quadrático de 0,7 pixel.
A resolução espacial da imagem digital gerada foi
calculada fundamentada no conceito de Distância Correspondente do Terreno (DCT)
citada por Fitz (2005). Onde:
DCT= N/R,
sendo, N o denomidor na escala e R a resolução da imagem em dpi, desta forma
temos, N= 50.000 e R = 300 dpi
DCT=
167”= 417 cm
ou aproximadamente 4,5 metros.
Cada pixel apresenta uma resolução espacial de 4,5x4,5m. O
erro médio referente ao processo de retificação corresponde, neste caso a 3,5
metros.
O processo de montagem no CorelDRAW apresentou alguns
erros referentes ao deslocamento de objetos, este erro gráfico, foi calculado
segundo Fitz (2005)
E=e*Ns,
onde e= erro gráfico em metros, E=erro correspondente no terreno, em metros e
Ns = denominador da escala de saida (E= 1/ Ns).
Onde o erro correspondente médio no terreno, medido por
meio de ferramentas do sistema SPRING foi de 30 metros. A escala de saída dos
mapas é 1:100.000, assim,
e=30/100.000=0,0003
metros ou 0,3 mm
Valor dentro do limite aceitável para o erro gráfico
(0,1mm a 0,3mm) (FITZ, 2005).
O resultado da montagem do mosaico e seu posterior
georreferenciamento foi a criação do geo-campo fotos. Uma carta imagem do
mosaico é apresentada na figura.2.
Foram inseridos aos BDG as bandas 2, 3 e 4 de imagens do
satélite CBERS-2, referentes a novembro de 2006, de onde foi retirada a linha
de margem do canal da barra. As imagens foram fornecidas pelo INPE (INPE,
2006), com resolução espacial de 20x20m.
A imagem CCD/CBERS-2 foi corrigida geometricamente.
Utilizaram-se 8 pontos de controle, que foram coletados por meio de pontos
notáveis com apoio da base cartográfica. Na retificação da imagem foi empregado
o mesmo processo do mosaico das fotografias, cujo erro médio quadrático foi de
0,95 pixel
Foram realizadas algumas combinações de bandas para cada
cor no sistema Red, Blue, Green (RBG), sendo que o melhor contorno da linha de
margem do canal foi conseguido em tons de cinza, acionando-se a monocromática
na Banda 4.
A divisão das classes de cobertura do solo foi realizada
com o auxílio de técnicas de Processamento Digital de Imagem, implementadas no
sistema SPRING. Sobre o geocampo fotos foi feita uma segmentação de imagens
pelo método de crescimento de regiões. Após algumas tentativas de segmentação
adotou-se similaridade igual a 40 e área de pixel igual a 500.
O resultado da segmentação do mosaico foi exportado para
um modelo de dados temático onde foi realizado o processo de correção dos
limites ente as diferentes unidades de uso e cobertura através do recurso de
edição vetorial para então poder-se constituir polígonos. Uma vez definida a
topologia, cada polígono poderá então ser associado a uma classe temática
(INPE. 2005).
A formação de polígonos que representam as diferentes
áreas associados aos diferentes usos foi feita através da análise visual em
tela da composição colorida com os dados resultantes da segmentação sobrepostos
à imagem. Desta maneira as operações de interpretação visual e edição vetorial
foram concomitantes. A interpretação visual foi realizada após a elaboração de
uma chave de fotointerpretação, conforme Novo (1993) apud Silva et al.(2005),
onde foram considerados os seguintes elementos de fotointerpretação: textura,
cor e forma, conforme tabela 1. Para o reconhecimento das diferentes feições
foram utilizadas escalas na faixa de 1:10.000 a 1:4.000. Desta forma,
conseguiram-se identificar e mapear as categorias de uso e ocupação do solo na
bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição especificadas na tabela 1 e descritas
a seguir.
TABELA 1- Chave de fotointerpretação.
|
Categoria
|
Composição colorida
|
|
Cor
|
Textura
|
Forma
|
|
Vegetação Arbórea
|
Verde escuro
|
Rugosa
|
Irregular
|
|
Pastagem ou Área desmatada
|
Verde claro e verde arroseado
|
Lisa
|
Irregular/Geométrica
|
|
Área Urbana
|
Cores variadas
|
Rugosa
|
Geométrica
|
|
Dunas Descobertas
|
Areia
|
Lisa
|
Irregular
|
|
Dunas Cobertas por vegetação
|
Areia com verde escuro ou verde arroseado
|
Rugosa
|
Irregular
|
|
Água
|
Azul/Verde escuro ou areia azulado
|
Rugosa
|
Irregular
|
|
Praia
|
Areia
|
Lisa/rugosa
|
Irregular
|
|
Sem Classe
|
Branco, Cinza ou Preto
|
-
|
Irregular/Geométrica
|
Fonte: Elaboração própria a
partir de Silva et al. (2005).
• Vegetação Arbórea: corresponde à cobertura vegetal
natural ou reflorestada de porte arbóreo.
• Pastagens ou áreas de vegetação suprimida: áreas onde
ocorre a supressão da vegetação natural coberta por vegetação herbácea
gramínea, cultivo ou solo exposto.
• Áreas Urbanas: refere-se à parte da superfície em que
estão presentes edificações como vilas, bairros e outras áreas com construções
isoladas das concentrações urbanas.
• Dunas Descobertas: área de dunas sem cobertura vegetal.
• Dunas Cobertas por Vegetação: área de dunas recobertas
por vegetação natural de porte arbóreo arbustivo.
• Água: constituem os reservatórios de águas naturais como
a laguna e o seu canal de ligação com o oceano.
• Praias: região costeira com areia e, em alguns casos,
com cobertura com vegetação de restinga.
• Sem Classe são áreas onde não foi possível nenhuma identificação,
por falta de fotografias ou por cobertura de nuvens.
Realizados todos os processamentos, foram elaborados uma
carta imagem (figura 2) e um mapa índice de uso e cobertura do solo da Lagoa da
Conceição (figura 3). Os mapas foram realizados com a utilização do módulo
Scarta do sistema SPRING 4.2. Estes produtos foram exportados para o módulo
IPLOT do SPRING 4.2 que possibilita a impressão do documento ou e exportação em formato JPEG.
Primeiramente as imagens do mapa de zoneamento disponível
no site do IPUF (IPUF, 2006) foram transformadas para arquivos GRIB com o uso
do Impima. O georreferencimento e a correção geométrica das imagens foram
feitos em processo semelhante ao empregado nas fotografias aéreas, apresentando
um erro médio quadrático da ordem de 0,5 pixels. O mosaico formado de toda a
área de estudo foi então, vetorizado e classificado. Estes dados vetorizados
foram convertidos em dado matricial para posteriormente serem cruzados e
comparados com os dados de uso e cobertura, possibilitando averiguar qual o
nível de concordância entre as diretrizes municipais e a ocupação humana.
O Plano Diretor de Florianópolis vigente foi aprovado em
dezembro de 1996 (Lei Complementar nº 001/97). Mas desde 1985, devido ao
desenvolvimento turístico da Ilha, foi aprovado o Plano Diretor dos Balneários
(lei nº 2193/85), que abrange todos os seus distritos, dentre eles, o distrito
da Lagoa da Conceição. O macro-zoneamento divide a área urbana divide a área
urbana do município de Florianópolis em zona urbana e zona rural. A área de
estudo deste trabalho abrange a zona urbana. A zona urbana está dividida nas
seguintes categorias:
- Áreas
de Usos Urbanos
- Áreas
de Execução de Serviços Públicos
- Áreas
de Usos Não Urbanos
- Áreas
Especiais: que estão sobrepostas a outras áreas do zoneamento
3. Resultados e
conclusões
A partir das curvas de nível e da hidrografia foi possível
traçar os limites da bacia hidrográfica da Lagoa da Conceição. Esta área de
82,30 Km2, responsável pela captação natural da água da precipitação, converge
os escoamentos superficiais para o seu exutório, o Canal da Barra da Lagoa. A
figura 2 ilustra a carta imagem geraqda a partir do mosaico das imagens aéreas.

Figura 2 – Carta Imagem realizada a partir das
fotografias aéreas.
Para estabelecer uma área correspondente às sugeridas por
EPAGRI /CIRAM (2006); Hauff (1996) e pelo zoneamento do Plano Diretor de
Florianópolis (IPUF, 2006), anexaram-se à área de estudo as áreas das dunas da
Joaquina (6,31 Km2) e Moçambique com (4,80 Km2). A área terrestre caracterizada
neste estudo corresponde a 70,65 Km2 e uma área de 20,81 Km2 de ambiente
aquático com menos de 1% de vegetação lagunar superficial (0,85 %), totalizando
91,46 Km2.
A análise da área terrestre considerada apresentou uma
distribuição espacial com 55,39% de cobertura vegetal arbórea; 17,86% de área
urbana; 11,95% por área com vegetação suprimida e 13,67% de região de dunas e
praias. Também foi observada uma área relativa de 1,13% que não pode ser
classificada por falta de fotografias ou por imagens recobertas por nuvens. A
figura 3 mostra a distribuição espacial da cobertura e uso do solo encontrada
neste trabalho.

Figura 3 – Mapa Índice do uso e cobertura do solo da
Lagoa da Conceição.
Além do mapeamento do uso e cobertura do solo e da
comparação com o plano diretor, o estudo alcançou resultados inesperados, como
a constatação de que a linha de margem obtida através das fotografias e das
imagens do satélite CBERS difere da base cartográfica do IPUF (1979); estas
diferenças ficaram mais evidentes ao longo do canal de comunicação com o oceano
e na margem sul do subsistema central, como verificado anteriormente por
Koefender (2005) em trabalho de campo. Embora as imagens CCD/CBERS-2 fossem em
resolução inferior às fotografias, constituiram-se em uma importante ferramenta
auxiliar na delimitação dos limites entre os ambientes terrestre e aquático. A
base cartográfica também se mostrou bastante defasada nas informações de
arruamentos, sendo muitas vias observadas nas fotografias não cadastradas na
base cartográfica.
4. Considerações
finais
Os resultados obtidos neste estudo para a área delimitada
nos permitiram observar que o Plano Diretor nem sempre é respeitado pela
ocupação e que, em algumas áreas, o mapa disponibilizado (IPUF, 2006) se mostrou
impreciso e conflitante com o item VI do 21º parágrafo da Lei Complementar n
001/97 que estipula 33 metros de APP no entorno de corpos d’água influenciados
pela maré como é o caso da laguna e de seu canal na Barra da Lagoa. Nesta faixa
de 33 metros, é possível encontrar Área Turística Residencial (ATR), Área
Turística Exclusiva (ATE), Área Residencial Predominante (ARP), Área
Residencial Exclusiva (ARE), ou mesmo Área de Preservação Limitada (APL) e Área
Verde de Lazer (AVL).
O zoneamento urbano designa aproximadamente 63 % da área
terrestre para área de proteção permanente (APP), contudo observou-se que
aproximadamente 11% de APP é ocupada por locais de pastagens ou com vegetação
suprimida, construções e vias que garantem acesso e constituem fator contribuinte
a ações antrópicas prejudiciais ao meio ambiente.
A área delimitada como Área de Exploração Rural (AER), de
uso não urbano, localizada no norte da bacia hidrográfica, no Distrito de São
João do Rio Vermelho, corresponde à região hidrográfica do Rio Gualberto e está
ocupada em 62,77% com uso urbano o que pode estar acarretando alterações
ambientais com a mudança da permeabilidade do solo e possíveis contaminações
por dejetos humanos. A Área de Elemento Hídrico (AEH) delimitada principalmente
nas margens do canal está ocupada em 57% com área urbana, embora este seja um
valor elevado deve-se considerar que esta é uma região de conflito de
informações sobre os limites hidrográficos do canal. Em comparação ao estudo de
Godoy et al. (2006) constatou-se que 35,67% da área urbana encontram-se a uma
faixa de 500 metros de distância da Lagoa, com as maiores concentrações urbanas
nesta faixa ocorrendo no Distrito da Lagoa e da Barra da Lagoa. As áreas
urbanas adjacentes ao corpo hídrico estão associadas a possíveis impactos
ambientais, como a poluição das águas por esgotos domésticos, a
impermeabilização da superfície do solo e o aporte na laguna de água de
drenagem contaminada com hidrocarbonetos.
Nas regiões determinadas como residenciais apenas 20%
resulta coberto por vegetação arbórea, o que representa grande densidade de
construções, formação de grandes manchas urbanas e pode implicar em desconforto
urbano e alterações no ciclo hidrológico.
A Lagoa da Conceição pode estar sofrendo impactos
ambientais antropogênicos, como a ocupação de áreas de preservação permanente e
o adensamento populacional sem infra-estrutura, o assoreamento do corpo d´água
causado tanto pelo acúmulo de matéria orgânica como pelo carreamento de solo e
a poluição das águas por esgotos domésticos oriundos de residências e
atividades de serviço.
O presente estudo realizou o cruzamento de diversas
informações ambientais, com o objetivo de fornecer subsídios ao estudo do ciclo
hidrológico e à gestão ambiental integrada da bacia hidrográfica da Lagoa da
Conceição. Acredita-se, portanto que a análise espacial dos aspectos do meio
físico, dos ambientes terrestre e aquático da região, com o uso de técnicas de
sensoriamento remoto e geoprocessamento é de grande relevância e está
completamente inserida no contexto da Engenharia Sanitária e Ambiental.
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